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Órfão, candidato cego fará o Enem para realizar sonho de ser advogado

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  • Publicado em Piauí
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O jovem perdeu a visão quando tinha nove anos, um ano após a morte da mãe (Foto: Gustavo Almeida/G1)José de Jesus perdeu a visão quando tinha 9 anos, um ano após a morte da mãe (Foto: Gustavo Almeida/G1)

Mais de 169 mil estudantes devem fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em condições especiais no próximo mês em todo o país. Um deles é José de Jesus, 29 anos, natural do município de União, a 59 km de Teresina, Norte do Piauí. Há cinco anos ele deixou a comunidade Terra Vermelha, na zona rural, e veio para Teresina estudar braile na escola da Associação dos Cegos do Estado do Piauí (Acep). José sonha em ser advogado.

 
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José de Jesus frequenta uma escola pública da capital piauiense e à tarde participa das aulas de braile na Acep. Ele perdeu a visão quando tinha nove anos, um ano após a morte da mãe. Dez anos mais tarde ele também perderia o pai e passou a morar com a avó, mas somente em 2009 mudou-se para Teresina com o objetivo de estudar.

  Estudante tem aulas de braile para reforçar estudos (Foto: Gustavo Almeida/G1)Estudante tem aulas de braile para reforçar estudos
(Foto: Gustavo Almeida/G1)

Ele conta que o problema visual é hereditário. “É de família, muitos parentes meus têm deficiência visual”, disse o jovem. Somente após ter vindo para Teresina é que José aprendeu a ler, porque na cidade natal não tinha ensino especializado. Faltando poucos dias para o Enem, ele afirma que está se preparando para a prova, que será feita com o auxílio de um ledor (transcritor de braile). “Uma prova de 90 questões em braile seria complicado, então é melhor com o ledor”, explicou.

Essa é a segunda vez que ele fará o Enem, mesmo assim confessa que teme a grande concorrência. “Nas questões de matemática é muito complicado para um deficiente visual”, disse. Perguntado sobre qual profissão pretende seguir, ele afirma que deseja ser advogado e quer continuar morando em Teresina. “Aqui é onde tem as melhores oportunidades. Lá [em União] as coisas são mais difíceis”, pontuou.

Superação
Outro deficiente visual que também fará o Enem é Andris de Araújo, 30 anos. Natural de Júlio Borges, no semiárido piauiense, o jovem frequenta as aulas da Acep desde 2009, quando passou a ter contato com o braile. Ele estuda em uma escola particular de Teresina à noite e participa do reforço escolar oferecido pela associação durante a manhã.

Com 10% da visão, aluno utiliza aplicativo do celular para estudar (Foto: Gustavo Almeida/G1)Com 10% da visão, aluno utiliza aplicativo do celular para estudar (Foto: Gustavo Almeida/G1)

O aluno explica que na escola regular apenas ouve as aulas. “Na sala de aula eu ouço e algum colega copia os conteúdos para mim. Aí eu trago tudo para ser colocado em braile aqui na Acep para que eu possa ler”, contou.

Com apenas 10% da visão, ele consegue estudar no computador e pelo celular com o auxílio de um sistema de voz. “Eu consigo ouvir e assim vou estudando”, diz o rapaz que dormiu enxergando e acordou cego quando ainda morava em Pinheiro, no interior do Maranhão. Ele diz que sonhava em ser médico, mas desistiu devido à dificuldade imposta pela deficiência visual. “Medicina para uma pessoa cega é impossível, então tentarei fazer Direito”, relatou.

Presidente da associação destaca importância de acompanhamento de alunos cegos (Foto: Gustavo Almeida/G1)Aluísio fala da importância do acompanhamento
de alunos cegos (Foto: Gustavo Almeida/G1)

Andris enxergou até os 12 anos, quando um problema no nervo óptico apagou sua visão. Caso parecido enfrentou Welson Pimenta, 25 anos, que também está se preparando para o Enem e frequenta a associação. O jovem ainda está no 1º ano do Ensino Médio, mas está testando os conhecimentos para realizar o sonho de futuramente ser um doutor em Geografia.

Para Aluísio Carvalho, presidente da Acep e também deficiente visual, ver histórias como a dos três rapazes é motivo de orgulho. A entidade fundada em 1967 mantém aulas individuais para pessoas com deficiência visual, através de doações da própria comunidade.

“É muita alegria, porque a Acep faz por esses jovens o que a família deles não teria condições de fazer. Muitos conseguirão atingir seus objetivos após o nosso projeto de inclusão social, por meio da educação”, falou.


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