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Criança que mora há sete anos no circo fala sobre rotina no picadeiro

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  • Publicado em Piauí
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Pamela é a quarta geração de uma família circense (Foto: Carlienne Carpaso/G1)Pamela é a quarta geração de uma família circense (Foto: Carlienne Carpaso/G1)

Pamela Carvalho, de sete anos, mora em um mundo mágico: cheio de palhaços, contorcionistas e trapezistas; com muita pipoca, algodão doce e alegrias. Ela, que carrega no sangue a emoção de brilhar no palco e atrair muitos sorrisos com olhares curiosos, é da quarta geração de uma família circense e não tem a intenção de quebrar a tradição: “eu sou do circo e vou continuar aqui”, declara sorridente.

Pamela rodando 20 bambolês (Foto: Carlienne Carpaso/G1)Pamela rodando 20 bambolês (Foto: Carlienne
Carpaso/G1)
Pamela e a mãe, Simone Carvalho (Foto: Carlienne Carpaso/G1)Pamela e a mãe, Simone Carvalho (Foto: Carlienne
Carpaso/G1)

Essa pequena circense, que não tem endereço fixo porque vive a viajar com a família de um canto para o outro do país, nasceu na cidade de Itapuã, no estado da Bahia, no dia 11 de novembro de 2006, durante uma temporada de apresentações. Pamela festeja o Dia das Crianças, comemorado neste domingo (12), em Teresina, onde o circo do qual faz parte junto com a irmã e a mãe está com o picadeiro armado no bairro Redenção, próximo ao Terminal Rodoviário Lucídio Portela, Zona Sul de Teresina. 

Com a proximidade do aniversário, não existe a certeza de onde irá comemorá-lo, mas ela afirma que já se acostumou com as constantes mudanças e, determinada, declara que aonde o circo for, ela irá junto. “Eu quero continuar aqui e me apresentar com o circo”, disse a pequena, que desde os cinco anos de idade se prepara para começar a participar dos shows, pois tem o sonho de ser trapezista e contorcionista, trabalhando com tecidos e bambolês. 

Quem a ajuda nos ensaios é a mãe, a ex-contorcionista Simone Carvalho, de 36 anos. O pai de Pamela é Silvio Carvalho, o palhaço Guri. Os irmãos são Paloma Caetano, contorcionista, na qual Pamela se espelha, e Julio Cezar, que também trabalha com a arte circense. Atualmente, o pai e o irmão estão em um circo armado no Rio de Janeiro (RJ).

Rotina no Circo
O mundo encantando de um circo faz com que muitas pessoas pensem que a rotina dessas crianças seja diferente, mas não, afirma a mãe de Pamela. Em regra, as crianças dividem o tempo entre escola, ensaios e os momentos de lazer; a própria Pamela comenta sobre o seu cotidiano: “eu faço tudo que outra criança faz. Quando não estou na escola ou ensaiando, fico assistindo desenho na televisão ou jogando no tablet. O jogo que eu mais gosto é de arrumar a boneca, um que é de cabelereira”, disse.

Quando não está ensaindo ou estudando, Pamela gosta de assistir desenhos (Foto: Carlienne Carpaso/G1)Quando não está ensaindo, Pamela gosta de
assistir desenhos (Foto: Carlienne Carpaso/G1)
Pamela mora em um motorhome (uma casa dentro de um ônibus) (Foto: Carlienne Carpaso/G1)Pamela mora em um motorhome (uma casa dentro
de um ônibus) (Foto: Carlienne Carpaso/G1)

Já a mãe, Simone Carvalho, explica que a rotina da filha é como de qualquer outra criança da cidade, com pequenas diferenças: ao invés de morar em uma casa de tijolo e telha, ela mora em uma casa dentro de um ônibus (motorhome). “Na verdade, tudo é costume. Nós estamos acostumados com essa vida porque é a que temos. Esse é o nosso mundo. A gente não mora em casa de tijolos, mas aqui dentro temos tudo que precisamos: cama, fogão, banheiro, essas coisas”, acrescentou.

Rotina na Escola
Para cada cidade diferente uma nova escola entra para o currículo dos circenses. A dificuldade de mudar constantemente de ambiente escolar fez crescer o sentimento de companheirismo entre os estudantes já matriculados porque eles ajudam os “filhos de circo” a estudarem as disciplinas.

“Já me acostumei em ficar mudando de escola. No começo não gostava, mas depois eu me acostumei. Eu já sei que vou entrar em uma escola nova e não vou demorar muito nela. Eu tenho só que estudar muito para aprender”, contou Pamela, que está na primeira série do ensino fundamental. 

Simone explica que muitas vezes um circo consegue passar meses em uma única cidade, o que ajuda nos estudos das crianças, porém, em algumas situações, o picadeiro só fica uma semana a depender da quantidade do público. Ela disse ainda que muitas escolas compreendem a situação e ajudam nessa espécie de aprendizagem por etapas dentro de uma mesma série.

Pamela treina com o bambolê (Foto: Carlienne Carpaso/G1)Pamela treina com o bambolê (Foto: Carlienne Carpaso/G1)

“Nem sempre foi assim, mas agora muitas professoras tentam ajudar adiando provas e passando trabalhos porque compreendem que o ritmo de vida dos estudantes de circo é diferente. Minha outra filha já conseguiu terminar os estudos”, comentou.

A mudança de escola em escola é assegurada pela Lei Federal nº 6.533. A norma regulamenta a profissão de artista e “assegura a transferência da matrícula e consequente vaga nas escolas públicas locais de 1º e 2º Graus, e autorizada nas escolas particulares desses níveis, mediante apresentação de certificado da escola de origem”.

Passando a infância entre escolas e cidades diferentes, Pamela não vê problema na vida nômade e anseia pelo início de suas apresentações. "Não sinto vontade de morar na cidade. Eu gosto de ficar com o circo e não vejo a hora de começar a me apresentar. Quero viver disso e ser aplaudida no picadeiro, o que deve ser uma emoção muito grande", finalizou a pequena aprendiz de artista.


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