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Detentos criam tribunal para julgar e matar presos no PI, denuncia sindicato

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  • Publicado em Piauí
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Presos da Casa de Custódia stão sendo julgados e executados por outros detentos (Foto: Sinpoljuspi)Presos da Casa de Custódia estão sendo julgados e executados por outros detentos (Foto: Sinpoljuspi)

O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí (Sinpoljuspi) denuncia que a ordem para nove execuções registradas dentro de presídios no estado somente este ano tenham partido de um tribunal do júri organizado pelos próprios presos. Kleiton Holanda, diretor administrativo do sindicato, revelou ao G1 que um grupo de detentos sentencia os presos recém-chegados nas unidades e que cumpririam pena por homicídio e tráfico de drogas. Quatro das mortes aconteceram dentro da Casa de Custódia, em Teresina.

"Todas as mortes têm alguma relação com o pavilhão F, onde fica a maioria dos presos vindos de outros presídios. Quando um novo detento chega na Casa de Custódia, por exemplo, esse grupo já sabe de quem se trata, levanta a sua ficha crimininal e o julga por alguma atitude dentro ou fora da prisão. Eles aguardam o momento certo para executá-lo, que é quando o novato sai da triagem e vai para o pavilhão", contou o diretor.

Detentos envolvidos com homicídios e tráfico de drogas são condenados pelos presos (Foto: Sinpoljuspi)Detentos envolvidos com homicídios e tráfico de
drogas são condenados pelos presos
(Foto: Sinpoljuspi)

Kleiton Holanda, que também é agente penitenciário, disse ainda que o "tribunal" determina quem vai executar o outro preso e caso este se recurse, também será punido por descumprimento. "Caso o detento tenha algum problema vindo da rua, como desafeto entre grupos rivais e drogas certamente será executado. A informação da sua morte passa por todos os pavilhões, mas lá reina a lei do silêncio: quem falar é punido. Mesmo quando o interno muda de pavilhão ou permanece no mesmo para adquirir confiança dos demais, é morto da mesma forma porque está condenado pelos outros presos", explicou.

Ainda conforme o Sinpoljuspi, a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) conta com um Serviço de Inteligência para prevenir estas ocorrências, mas que não funciona. "Através do trabalho de investigação e acompanhamento dos presos, já poderíamos ter identificado estes agressores. Chegamos ao absurdo, o estado jogou a responsabilidade na mão dos presos, pois atualmente ele é quem escolhe o pavilhão ao invés da direção do presídio, que deveria saber o lugar mais seguro para o detento", criticou.

Kleiton Holanda lembrou da confusão registrada nessa terça-feira (7), quando nove presos da Penitenciária de Esperantina chegavam à Casa de Custódia e por pouco não morreram ao encontrar o grupo rival. "Na confusão, um dos agentes acabou se ferindo. A Sejus transfere presos do interior para a capital como forma de punição, mas esta ação é equivocada porque pode contribuir para a morte dos presos pois há uma vigança entre eles", destacou.

A situação que envolve os assassinatos que vêm ocorrendo dentro das penitenciárias no estado é antiga e segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários, já havia sido informada para a Sejus. "Na primeira reunião com a nova secretária apresentamos um relatório com 500 páginas contando todos os problemas e apontamos as soluções. O problema também foi informado ao juiz das execuções, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, governador do estado, mas nada se faz e o agente sofre por não ter segurança no seu local de trabalho", concluiu.

O diretor de presídios Secretaria de Justiça do Piauí, Welligton Rodrigues, confirmou ao G1 a existência de julgamento dentro do sistema presidiário do estado e que tem trabalhado para evitar a situação, mas algumas ocorrências acabam saindo do controle. "Os grupos rivais que atuam em Teresina estão ramificados. Quando chega uma pessoa do grupo rival, tentamos evitar esse encontro, mas infelizmente é difícil controlar cada um dos 860 presos da Casa de Custódia e 450 na Irmão Guido", explicou.


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