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Médicos não atendem pacientes por falta de leitos e têm prisão decretada

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  • Publicado em Piauí
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Três médicos do Hospital de Urgência de Teresina e Hospital Getúlio Vargas tiveram voz de prisão decretada após recusar receber dois pacientes que apresentaram ordem judicial de internação. A justiça expediu liminar especial para que fosse disponibilizados leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo os diretores das unidades de saúde, apesar do atendimento ter sido feito horas depois, um oficial de justiça acompanhado de policiais, foi na manhã desta terça-feira (7) nos hospitais para prender os plantonistas.

Vìtima da entrada no HUT (Foto: Ellyo Teixeira/G1)Pacientes buscaram internação no HUT e HGV em Teresina (Foto: Ellyo Teixeira/G1)

"As famílias dos pacientes acionaram a Justiça e conseguiram uma liminar especial para que o hospital disponibilizasse vagas na UTI. Eles chegaram com o oficial por volta da meia-noite dessa segunda, quando os dois médicos plantonistas informaram não ter leito, mas acabaram recebendo o paciente com traumatismo craniano até que pudesse ser feita a sua internação e o outro com trauma medular foi levado para o HGV", contou o diretor do HUT, Gilberto Albuquerque.

Gilberto Albuquerque, diretor do HUT (Foto: Ellyo Teixeira/G1)Para diretor do HUT, ação de oficial foi uma
arbitrariedade(Foto: Ellyo Teixeira/G1)

Ainda de acordo com o diretor, a vaga surgiu ainda durante a madrugada, só que o oficial retornou por volta das 5h desta terça-feira com os policiais para prender os dois médicos de plantão. "Eles só não foram presos porque um já tinha saído do hospital e o outro estava trabalhando num setor diferente. Creio que a Justiça não está usando da lógica. É uma arbitrariedade, como vão prender um médico plantonista e os outros pacientes ficam desassistidos?", declarou.

Diretora do HGV falta de constrangimento sofrido pelos médicos (Foto: Gilcilente Araújo/G1)Diretora do HGV falta de constrangimento sofrido
pelos médicos (Foto: Gilcilente Araújo/G1)

Para a diretora do HGV, Clara Leal, a liminar determinava ainda que, caso não tivesse vaga no hospital o paciente fosse encaminhado para a rede privada, o que não aconteceu. "O médico assinou a ordem, mas não recebeu o paciente por falta de leito e pediu que ele retornasse pela manhã. Por volta das 5h30 desta terça-feira o oficial retornou, mas com a polícia e deu voz de prisão para o plantonista, gerando um princípio de tumulto" relatou.

Clara Leal lembrou ter conversado por telefone com o oficial e pediu bom senso, porque o médico não tinha responsabilidade pela falta de vagas. "Garanti a ele procurar uma alternativa, mas horas depois uma pessoa internada faleceu na UTI e então pudemos cumprir a determinação. No entanto, outro paciente que estava na fila de espera e com cirurgia marcada deixou de ser atendido por isso", revelou.

Sobre a situação, a diretora do Gétulio Vargas declarou que o fato foi constrangedor para o médico plantonista e outros profissionais de saúde. "Este não é um problema que eles têm responsabilidade. A falta de UTI e insufiência de leitos são problemas. Temos apenas 16 vagas e está prevista a abertura de outras somente para o próximo ano, mas até eu como diretora não posso fazer nada", contou.

O assessor jurídico do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM), Ricardo Cury, condenou a atitude do oficial de Justiça e destacou que a responsabilidade da falta de vagas na UTI é do Estado. "O médico não é um regulador de leitos, ele não pode eleger o paciente que deve ficar internado. Ao contrário, o plantonista presta o melhor atendimento e cabe a ele zelar pela prática médica. O Ministério Público vem batendo em cima da falta de vagas na UTI faz tempo e nada foi feito", disse.

A ordem judicial foi expedida pelo juiz Deoclécio Sousa, que não foi encontrado para comentar sobre o caso.


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