OMS incentiva países a ampliar difusão dos autotestes de HIV

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Para lembrar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, em 1º de dezembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta terça-feira (29) novas diretrizes sobre o autoteste de HIV para melhorar o acesso e a aceitação do diagnóstico da doença.
Segundo relatório divulgado recentemente pela OMS, a falta do diagnóstico é um dos principais obstáculos para implementar a recomendação da organização segundo a qual a terapia antirretroviral deve ser oferecida para todas as pessoas com HIV.
O documento mostrou que mais de 18 milhões de pessoas com HIV estão recebendo terapia antirretroviral atualmente, e um número semelhante estão impossibilitadas de acessar o tratamento, a maioria sem conhecimento de seu estado soropositivo.
Atualmente, 40% de todas as pessoas vivendo com HIV (cerca de 14 milhões) permanecem sem saber que estão infectadas. Muitas têm um maior risco de infecção e dificuldade em acessar os serviços de testagem existentes.
Destaque Laço vermelho, símbolo da luta contra a Aids. Foto: CC/Sham Hardy Laço vermelho, símbolo da luta contra a Aids.

“Milhões de pessoas com HIV ainda estão perdendo o tratamento que pode salvar vidas e também prevenir a transmissão a outros indivíduos”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. “O autoteste para HIV deve abrir a porta para que mais pessoas saibam de seu estado soropositivo e descubram como obter tratamento e acessar os serviços de prevenção”.

Com o autoteste para HIV, é possível usar fluidos orais ou gotas de sangue para detectar o vírus em um ambiente privado e conveniente. Os resultados ficam prontos em até 20 minutos. Aqueles que apresentarem resultados positivos devem buscar testes confirmatórios em unidades de saúde. A OMS recomenda também que essas pessoas busquem informações e acessem canais de aconselhamento, tratamento e cuidado.

Segundo a agência da ONU, esse tipo de testagem é uma forma de alcançar mais pessoas não diagnosticadas, sendo particularmente importante para aquelas que enfrentam barreiras para acessar os serviços existentes.

Entre 2005 e 2015, a proporção de pessoas vivendo com HIV e que tomou conhecimento do diagnóstico cresceu de 12% para 60% globalmente. Esse aumento na aceitação da testagem para o HIV em todo o mundo resultou em mais de 80% de todas as pessoas diagnosticadas recebendo a terapia antirretroviral.

No entanto, a cobertura de testagem para o HIV permanece baixa entre diversos grupos populacionais. Por exemplo, as taxas de cobertura global para todos os testes de HIV, prevenção e tratamento são menores entre os homens do que entre as mulheres.

Os homens representam apenas 30% das pessoas que fizeram o teste para HIV. Como resultado, os homens com HIV são menos propensos a serem diagnosticados e encaminhados para o tratamento antirretroviral e mais propensos a morrer por causas relacionadas ao HIV que as mulheres.

Entretanto, meninas adolescentes e mulheres jovens na África Oriental e Austral têm índices de infecção até oito vezes maiores que os homens. Apenas uma em cada cinco mulheres (15 a 19 anos de idade) está ciente de seu estado soropositivo.

A testagem também permanece baixa entre populações-chave e seus parceiros — particularmente homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, pessoas transgêneros, usuários de drogas injetáveis e pessoas privadas de liberdade —, que representam aproximadamente 44% das 1,9 milhão de novas infecções por HIV em adultos que ocorrem a cada ano.

Até 70% dos parceiros de pessoas com HIV também são soropositivos, e muitos não estão sendo testados. As novas diretrizes da OMS recomendam formas de ajudar pessoas soropositivas a notificar seus parceiros sobre seu status e incentivá-los a fazer o teste.

“Ao oferecer autotestes de HIV, podemos empoderar as pessoas a descobrir seus próprios status de HIV e também a notificar seus parceiros e incentivá-los a fazer o teste”, afirmou o diretor do Departamento de HIV da OMS, Gottfried Hirnschall.

“Isso deve levar a mais pessoas a saber de seus status e ser capazes de agir sobre isso. O autoteste é particularmente relevante para aqueles que têm dificuldade em acessar os testes clínicos e podem preferir o autoteste”, completou.

O autoteste mostrou quase o dobro da frequência de testes de HIV entre homens que fazem sexo com homens. Estudos recentes no Quênia revelaram que parceiros homens de mulheres grávidas dobraram a aceitação do teste quando oferecido o autoteste em comparação com a testagem padrão.

Vinte e três países têm atualmente políticas nacionais que apoiam o autoteste. Muitos outros estão desenvolvendo políticas, mas a implementação do autoteste para HIV em larga escala permanece limitada.

A OMS apoia a distribuição gratuita de kits de autoteste e outras abordagens que permitam a compra desses kits a um preço acessível. A organização também trabalha para reduzir os custos e aumentar o acesso. A nova orientação tem o objetivo de ajudar os países a aumentar a escala de implementação.

A OMS apoia três países da África Austral que iniciaram a implementação em larga escala do autoteste por meio do projeto STAR, financiado pela UNITAID. Muitos outros países consideram essa abordagem inovadora para alcançar as pessoas que estão sendo deixadas para trás.

Com informações Agência ONU


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