OPAS atualiza guia de perguntas e respostas sobre zika para público brasileiro

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Para esclarecer dúvidas de brasileiros com as mais recentes evidências científicas, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil atualizou seu guia de perguntas e respostas sobre o vírus zika e suas consequências.
Algumas das questões esclarecidas pela agência regional das Nações Unidas:
Como as pessoas são infectadas pelo vírus zika?
O vírus zika é transmitido primariamente às pessoas por meio da picada de um mosquito Aedes infectado, que também pode transmitir chikungunya, dengue e febre amarela.
Um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) de Pernambuco detectou a presença do vírus zika em mosquitos Culex quinquefasciatus.
Destaque Mosquito Aedes aegypti é principal vetor do vírus zika. UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino Mosquito Aedes aegypti é principal vetor do vírus zika.

Essas amostras foram coletadas em Recife, em casas de pessoas que foram infectadas com o zika. Estudos laboratoriais recentes têm mostrado que as espécies Culex são experimentalmente incapazes de transmitir o vírus zika, e é improvável que eles desempenhem um papel na atual epidemia.

O vírus zika também pode ser transmitido por meio de relação sexual e foi detectado em sêmen, sangue, urina, líquido amniótico e saliva, bem como em fluidos corporais encontrados no cérebro e na medula espinhal.

Em quais locais o vírus zika circula?

A transmissão local do vírus zika pelos mosquitos Aedes tem sido notificada nos continentes da África, nas Américas, na Ásia e no Pacífico.

Existem dois tipos de mosquitos Aedes conhecidos por serem capazes de transmitir o zika. Na maioria dos casos, ele é propagado pelo Aedes aegypti em regiões tropicais e subtropicais. O Aedes albopictus também transmite o vírus e pode hibernar para sobreviver em regiões com temperaturas mais baixas.

Como a infecção pelo vírus zika é diagnosticada?

O diagnóstico é baseado nos sintomas e no histórico recente do paciente — como picadas de mosquitos ou viagens para áreas com circulação do vírus. Testes laboratoriais podem confirmar a presença do zika no sangue. Entretanto, esse diagnóstico pode não ser tão confiável, já que o vírus poderia reagir de forma cruzada com outros vírus como o da dengue e da febre amarela. Um teste confiável de diagnóstico é uma prioridade nas áreas de pesquisa e desenvolvimento.

Como o vírus zika é tratado?

Os sintomas da doença podem ser tratados com medicamentos comuns para dor e febre, descanso e reposição de líquidos. Se os sintomas piorarem, as pessoas devem procurar auxílio médico.

Proteção contra o mosquito

O que as pessoas podem fazer para se protegerem da picada de mosquitos?

A melhor forma de se proteger contra o zika é prevenir as picadas de mosquitos. Mulheres grávidas ou que planejam engravidar, e seus parceiros sexuais, devem tomar cuidados extras, entre eles:

Vestir roupas que cubram o máximo possível do corpo (preferencialmente de cores claras); Usar repelentes, que podem ser aplicados nas áreas expostas da pele ou nas roupas. O produto dever conter DEET — diethyltoluamide — ou IR 3535 ou Icaridin, que são os princípios ativos mais comuns em repelentes. Eles devem ser usados de acordo com as instruções do rótulo e são seguros para mulheres grávidas; Utilizar barreiras físicas, tais como telas comuns ou tratadas com inseticidas em janelas e portas; Dormir embaixo de mosquiteiros, mesmo quando o repouso ocorrer de dia; Identificar e eliminar potenciais criadouros de mosquitos, esvaziando, limpando ou cobrindo recipientes com água (baldes, vasos de flores e pneus); Programas nacionais podem direcionar corpos de água e resíduos de esgoto — saídas de tanques sépticos devem ser cobertas — com intervenções de água e saneamento.

Como as mulheres grávidas podem se proteger das picadas de mosquitos?

Gestantes que vivem em áreas onde há circulação do vírus zika devem seguir as mesmas medidas de prevenção fornecidas para a população em geral. Devem também ir regularmente às consultas de pré-natal em conformidade com as normas nacionais. Mulheres grávidas que desenvolverem qualquer sintoma ou sinal de infecção pelo vírus zika devem iniciar as consultas precocemente para diagnóstico, cuidados adequados e acompanhamento.

Por que a OMS está focando no Aedes como o principal vetor do zika? Ele é bastante conhecido para justificar o desenho atual do programa de controle de vetores?

Todos os estudos realizados até o momento na África, Ásia, Pacífico e Américas sustentam a conclusão de que o Aedes aegypti é o principal vetor e um mosquito da mesma família, Aedes albopictus, é um potencial transmissor do vírus zika. Ambas as espécies se reproduzem e vivem perto ou dentro de habitações humanas, preferindo picar humanos a outros hospedeiros animais, e uma extensa documentação tem mostrado suas competências na transmissão do zika. Entretanto, pesquisas recentes realizadas no Brasil mostram que o Culex também pode transmitir o vírus.

As recomendações de controle vetorial da OMS focadas nos mosquitos Aedes também são muito eficientes contra outros vetores, incluindo o Culex. A gama de métodos para reduzir a população de mosquitos inclui a pulverização das paredes e interiores de casas, pulverização dentro de espaços, controle larval e eliminação de criadouros. O controle do vetor é recomendado junto às medidas de proteção pessoal, tais como o uso de repelentes e camas com mosqueteiros durante o dia e a noite, entre outros.

Transmissão sexual

O que as pessoas podem fazer para se protegerem da transmissão sexual do vírus zika?

Em regiões com transmissão ativa do vírus zika, os programas de saúde devem assegurar que:

Todas as pessoas (homens e mulheres) que foram infectadas pelo vírus zika e seus parceiros sexuais – particularmente, mulheres grávidas – devem receber informações sobre os riscos da transmissão sexual do zika. Homens e mulheres tenham acesso a preservativos e recebam aconselhamento sobre práticas sexuais seguras — inclusive sobre o uso correto e consistente de camisinhas masculinas e femininas, sexo sem penetração, redução do número de parceiros sexuais e adiamento da primeira relação sexual. Os homens e mulheres sexualmente ativos devem ser aconselhados corretamente e terem acesso a uma gama completa de métodos anticoncepcionais para poder fazer uma escolha informada sobre se e quando engravidar, a fim de evitar possíveis efeitos adversos na gravidez e no feto. Gestantes pratiquem sexo seguro ou se abstenham de atividades sexuais durante, pelo menos, toda a duração da gravidez. Mulheres grávidas devem ser aconselhadas a não viajar para áreas com surto do vírus zika em curso.

Em regiões onde a transmissão do vírus zika não é ativa, os programas de saúde devem assegurar que:

Homens e mulheres que retornam de áreas onde o zika circula devem praticar sexo seguro ou considerar abstinência por ao menos 6 meses após o retorno para prevenir infecção sexual do vírus zika. Casais ou mulheres que planejam uma gravidez e que estão voltando de áreas onde a transmissão do vírus zika ocorre são aconselhados a esperar pelo menos 6 meses antes de tentar conceber para garantir que não há mais possibilidade de infecção pelo vírus zika. Os parceiros sexuais de mulheres grávidas, regressando de áreas onde a transmissão do vírus zika ocorre, devem ser aconselhados a praticar sexo seguro ou se abster de atividade sexual durante pelo menos toda a duração da gravidez.

O que as mulheres expostas ao sexo sem proteção, que não desejam engravidar pela possibilidade de infecção pelo zika, devem fazer?

Todas as mulheres e meninas devem ter fácil acesso à contracepção de emergência, incluindo informações e aconselhamento precisos, bem como métodos acessíveis.

Distúrbios neurológicos

O vírus zika é uma causa da microcefalia e da Síndrome de Guillain-Barré?

Com base em um crescente corpo de pesquisas preliminares, há consenso científico de que o vírus zika é uma causa da microcefalia e da Síndrome de Guillain-Barré. Embora intensos esforços continuem a refinar a ligação entre o vírus e a uma variedade de distúrbios neurológicos dentro de um rigoroso quadro de investigação, uma corrente de estudos de casos notificados recentemente, bem como um pequeno número de estudos caso-controle e coorte, apoiam a conclusão de que existe uma associação entre o vírus zika, a microcefalia e a Síndrome de Guillain-Barré.

Existe uma ligação entre o zika e outros distúrbios neurológicos?

Além de microcefalia congênita, uma gama de manifestações têm sido reportadas entre bebês de até quatro semanas em situações onde houve exposição ao vírus zika no útero. Entre elas, estão malformações da cabeça, movimentos involuntários, convulsões, irritabilidade e disfunções do tronco cerebral – tais como problemas para engolir, contraturas de membros, problemas visuais e auditivos e anomalias cerebrais. Em conjunto, o espectro de anomalias congênitas associadas à exposição de fetos ao vírus zika durante a gravidez são conhecidos como “síndrome congênita vírus zika”.

 

Com informações Agência ONU


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