Uma em cada 7 crianças respira ar extremamente tóxico, aponta relatório do UNICEF

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Em abatedouro em Yenagoa, na Nigéria, criança fica exposta a fumaça e fogo alimentado por materiais plásticos para fazer Kanda, um tipo de carne defumada.
Cerca de 300 milhões de crianças de todo o mundo vivem em áreas onde a poluição atmosférica é tão alta – seis vezes ou mais do que os níveis internacionais aceitáveis – que elas podem ter sérios problemas de saúde, incluindo má formação cerebral.
A conclusão é de um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgado nesta segunda-feira (31).
Em comunicado à imprensa, o diretor executivo do UNICEF, Anthony Lake, afirmou que poluentes prejudicam não apenas os pulmões, mas podem causar danos permanentes no cérebro, comprometendo o futuro das crianças.
Destaque Uma em cada 7 crianças respira ar extremamente tóxico, aponta relatório do UNICEF

O estudo “Limpe o ar para as crianças” está disponível para download aqui.

“A poluição do ar é um dos principais fatores da morte de 600 mil crianças com menos de cinco anos de idade e ameaça a vida e o futuro de milhões todos os dias”, afirmou Lake. “Nenhuma sociedade pode ignorar este tipo de poluição”.

A constatação surge uma semana antes da 22a Conferência das Partes (COP22), que será realizada em Marrakesh, no Marrocos, a partir do dia 7 de novembro. No encontro, o UNICEF pedirá que os líderes mundiais adotem medidas urgentes para reduzir a poluição do ar.

Utilizando imagens de satélite, o relatório aponta que cerca de dois bilhões de crianças vivem em áreas com poluição causada por emissão de veículos, alto consumo de combustíveis fósseis, pó e fumaça de lixo que excedem as mínimas diretrizes de qualidade do ar determinadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Cerca de dois bilhões de crianças vivem em áreas onde a poluição atmosférica supera os limites internacionais. O mapa indica as regiões mais afetadas (na escala, azul é exposição baixa, vermelho escuro é alta). Fonte: UNICEF

Cerca de dois bilhões de crianças vivem em áreas onde a poluição atmosférica supera os limites internacionais. O mapa indica as regiões mais afetadas (na escala, azul é exposição baixa, vermelho escuro é alta). Fonte: UNICEF

O Sudeste Asiático tem a maior quantidade de crianças vivendo nestas áreas – 620 milhões -, seguido pela África, com 520 milhões, e o restante da Ásia e Pacífico, com 450 milhões de crianças.

No comunicado, o UNICEF ressalta que as crianças são mais suscetíveis do que os adultos a serem afetadas pela poluição interna e externa, já que seus pulmões, cérebros e sistemas imunológicos estão ainda em desenvolvimento e as vias respiratórias são mais permeáveis. Além disso, as crianças respiram mais rápido do que os adultos, inspirando mais ar em comparação com o peso corporal.

O documento lembra ainda que os mais desfavorecidos – que tendem a ter saúde mais precária e acesso médico inadequado– são os mais suscetíveis às doenças provocadas pela poluição do ar.

O relatório do UNICEF também examina o impacto da poluição interna, normalmente provocada pelo uso de carvão e madeira usados como combustíveis para cozinhar e aquecer, afetando crianças mais pobres de áreas rurais.

“Juntas, a poluição interna e externa do ar estão diretamente ligadas à pneumonia e outras doenças respiratórias responsáveis por uma a cada 10 mortes de crianças com menos de 5 anos, colocando a poluição do ar como um dos maiores perigos para a saúde das crianças”, informou o Fundo.

O UNICEF acrescentou que está pedindo que os líderes mundiais que participarão da COP22 adotem quatro medidas urgentes para proteger as crianças da poluição do ar: reduzir a poluição aos níveis aceitos pela OMS; aumentar o acesso das crianças aos serviços de saúde; minimizar a exposição de crianças às fontes de poluição, como localização de fábricas longe de escolas e playgrounds assim como uso de fogões mais adequados; e monitoramento da poluição do ar.

Ressaltando que as crianças estão protegidas quando a qualidade do ar que todos respiram está protegida, o diretor do UNICEF complementou: “Elas são cruciais para o nosso futuro”.

Com informações Agência ONU


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