Refugiados e requerentes de asilo trabalham como voluntários para ajudar recém-chegados na Alemanha

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“O que vamos jogar hoje?”, pergunta Hassan ao grupo de crianças em torno dele. “Futebol!”, é a resposta unânime. Aos 19 anos, o jovem é um dos milhares de voluntários que estão ajudando migrantes e refugiados recém-chegados à Alemanha a se adaptarem ao novo ambiente.
Ele também é um solicitante de asilo, pois teve de fugir para a Europa no verão passado devido à violência no Afeganistão.
Seus oito pupilos numa aula em Berlin têm menos de dez anos de idade. Assim como Hassan, as crianças aguardam a concessão de refúgio. Algumas são conterrâneas do afegão, enquanto outras vêm do Iraque e da Síria.
Destaque Hassan e as crianças fazem um lanche entre uma partida e outra de futebol. ACNUR / Gordon Welters Hassan e as crianças fazem um lanche entre uma partida e outra de futebol.

Toda segunda-feira, o adolescente e seus colegas do projeto Ankommen buscam os mais novos nos abrigos onde residem e os acompanham a um clube na vizinhança. O tempo é gasto em brincadeiras e também no aprendizado de novas habilidades.

A espera no processo de solicitação de refúgio pode ser muito difícil, muito frustrante.

“Eu gosto da Alemanha. Tem muita gente legal aqui”, comenta Hassan que atualmente está hospedado no apartamento de uma voluntária alemã, na capital do país. “A espera no processo de solicitação de refúgio pode ser muito difícil, muito frustrante. Mas o trabalho é divertido. É bom para mim e eu estou muito feliz por estar fazendo algo útil.”

Hassan ajuda o Ankommen a consertar bicicletas doadas para refugiados e solicitantes de asilo. Foto: ACNUR / Gordon Welters

Hassan ajuda o Ankommen a consertar bicicletas doadas para refugiados e solicitantes de asilo. Foto: ACNUR / Gordon Welters

O rapaz está entre as centenas de solicitantes de refúgio que doam seu tempo para o Serviço Federal de Voluntários da Alemanha. Conhecida em alemão como Bundesfreiwilligendienst, a iniciativa de âmbito nacional e dirigida pelo governo está aberta a adultos de todas as idades que desejam passar o ano colaborando com as comunidades onde vivem. Os voluntários trabalham 20 horas por semana e recebem uma pequena remuneração.

Tradicionalmente, os voluntários são pensionistas, estudantes ou pessoas que estão dando uma pausa em suas carreiras.

Em dezembro de 2015, o Ministério das Famílias da Alemanha abriu o programa para refugiados e solicitantes de refúgio numa tentativa de enfrentar o desafio de integrar novos grupos de deslocados. Mais de 1,5 mil estrangeiros aceitaram a oferta e, agora, participam do programa.

ACNUR incentiva voluntariado

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) apoia e incentiva a prática do voluntariado entre os requerentes de asilo e os refugiados.

“No centro dos esforços do ACNUR para fortalecer a integração dos refugiados está a ideia de abordagens em comunidade”, diz a representante da agência das Nações Unidas na Alemanha, Katharina Lumpp. Segundo a dirigente, quando vítimas de deslocamento forçado e populações de acolhimento trabalham juntas, as habilidades do refugiados passam a ser reconhecidas pelos nativos.

Essas crianças vêm de um ambiente
de guerra, elas tinham um monte
de problemas em seus próprios países.
É claro que elas precisam de ajuda.

Os voluntários, apelidados de “Bufdis” em alemão, podem escolher como querem ajudar. Alguns atuam como intérpretes ou ajudam as crianças recém-chegadas nas escolas e jardins de infância. Outros, como Hassan, escolhem se voluntariar como um jovem profissional.

“Eu nunca trabalhei com crianças antes, mas eu realmente gosto delas”, disse Hassan, que fala hindi e persa, bem como sua língua nativa, o dari. “Às vezes, as crianças têm dificuldades em falar alemão, então eu traduzo para elas.”

Hassan e seus colegas jogam futebol com as crianças em um parque local. Foto: ACNUR / Gordon Welters

Hassan e seus colegas jogam futebol com as crianças em um parque local. Foto: ACNUR / Gordon Welters

Hassan também ajuda no conserto das bicicletas doadas para o Ankommen — uma iniciativa da Sociedade para Esportes e Bem-Estar da Juventude de Berlim. Para um solicitante de refúgio jovem como ele, o voluntariado não só oferece experiência prática de trabalho, como também é uma oportunidade para melhorar as competências linguísticas e ajudar na entrada no mercado de trabalho no futuro.

Quando concluir seu trabalho como voluntário em 2017, Hassan espera tornar-se um aprendiz de sapateiro. Até lá, ele tem uma agenda cheia.

Uma vez por semana, o afegão ajuda o Ankommen a organizar torneios de futebol com adolescentes que vivem nos hangares do antigo aeroporto de Tempelhof, em Berlim. Nos outros dias, ele visita crianças em abrigos pela cidade, levando-as para nadar ou jogar tênis de mesa, basquete, sinuca ou “botão”.

“É um ótimo trabalho”, diz. “Essas crianças vêm de um ambiente de guerra, elas tinham um monte de problemas em seus próprios países. É claro que elas precisam de ajuda. Nós deixamos que elas se divirtam. Isso é o que fazemos, nós deixamos que sejam crianças.”

Com informações Agência ONU


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