Celso Amorim destaca ‘princípios humanistas’ de português indicado a chefe da ONU

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Celso Amorim durante reunião com António Guterres em 2010 em Genebra.
O português António Guterres, recomendado pelo Conselho de Segurança para o cargo de novo secretário-geral das Nações Unidas, reúne habilidades políticas, diplomáticas e fortes princípios humanistas.
A opinião é do ex-chanceler e ex-ministro da Defesa Celso Amorim, que trabalhou proximamente a Guterres na época em que ocupou o cargo de chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
“Ele é um exemplo de primeira categoria, de habilidade política, por ter sido primeiro-ministro de Portugal, e de capacidade de diálogo com todas as forças”, disse o diplomata em entrevista exclusiva ao UNIC Rio.
“Ao mesmo tempo, tem princípios humanistas muito fortes”, completou, elogiando a atuação de Guterres à frente do ACNUR diante da maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial.
Destaque Celso Amorim destaca ‘princípios humanistas’ de português indicado a chefe da ONU ACNUR

Para Amorim, a capacidade de diálogo do ex-premiê será importante no papel de mediador de conflitos, além de ter bom trânsito tanto entre diplomatas russos e africanos como entre as grandes potências ocidentais. “Ele não tem posturas radicais nos conflitos geopolíticos”, lembrou. O nome de Guterres ainda precisa ser referendado pela Assembleia Geral da ONU.

Outra vantagem é o fato de ter experiência direta com problemas de paz e segurança, temas centrais para as Nações Unidas. “Em geral, essa questão dos refugiados está ligada a conflitos, necessidades de negociações, de poder dialogar com alguém que talvez não se goste muito”.

Na época em que era chanceler, Amorim trabalhou diretamente com Guterres na recepção de refugiados pelo Brasil. Em 2010, eles se reuniram em Genebra para a assinatura de um memorando de entendimentos que formalizava o apoio do Brasil à assistência humanitária prestada pelo ACNUR em todo o mundo.

Continuidade do legado de Ban Ki-moon

Na opinião de Amorim, o atual secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deixa para trás um legado de importantes conquistas nos dez anos de mandato, como o combate às mudanças climáticas e a entrada em vigor, no dia 4 de novembro, do Acordo de Paris para o clima.

“Ban se dedicou a certos temas e foi vitorioso. Como a questão da mudança do clima, que é importantíssima para a humanidade”, disse. “Ele tem enormes méritos. Eu mesmo fui chamado pelo menos duas vezes (…) para funções em painéis de alto nível sobre questões de saúde e acesso a medicamentos. Fez uma excelente gestão nesse aspecto”.

Para o ex-ministro, o novo secretário-geral terá como desafio fazer a ONU avançar no conflito do Oriente Médio, cujas negociações estão praticamente paradas desde a Conferência de Anápolis, nos Estados Unidos, em 2007.

Outro desafio é o conflito na Colômbia, em situação “delicada” após a rejeição do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em referendo no último domingo (2).

Amorim defendeu ainda a necessidade de uma reforma nas Nações Unidas como um todo e, em especial, no Conselho de Segurança. Na opinião dele, Guterres será capaz de dar impulso a esse tema.

“Há uma enorme defasagem entre o mundo de 1945 e o mundo de hoje. Não posso dizer que essa seja a causa única dos conflitos, mas a grande dificuldade de lidar com os conflitos tem a ver com essa rigidez do Conselho.”

“Defendo que países como Brasil, Índia, África do Sul e outros teriam grande capacidade de servir de ponte entre as posições exercidas por Rússia e China e aquelas exercidas pelos países ocidentais”, afirmou. “Por outro lado, como ex-ministro, entendo que o secretário-geral tenha que avançar e, ao mesmo tempo, ser cuidadoso, pois esse tema levanta sensibilidades”.

Apesar de considerar Guterres um excelente nome para o cargo de chefe da ONU, Amorim lamentou o fato de uma mulher não ter sido escolhida para o posto. “Isso é uma coisa que todos nós lamentamos. Não se pode ter tudo”, disse. “Todos queremos que haja uma mulher à frente da ONU, como tivemos uma mulher à frente do Brasil. O momento vai chegar”, concluiu.

Com informações Agência ONU


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