Síria: civis em Alepo vivem ‘nível de selvageria que nenhum ser humano deveria suportar’, alerta ONU

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Destacando a crítica situação humanitária no leste da cidade de Alepo, na Síria, o enviado especial da ONU para o país, Staffan de Mistura, pediu no último domingo (2) a cessação urgente das hostilidades na região, a evacuação médica de centenas de pacientes em condições críticas, bem como o acesso humanitário seguro, completo e sem restrições.
“Estou profundamente alarmado com a grave situação humanitária no leste da cidade de Alepo, onde cerca de 275 mil pessoas estão sitiadas”, destacou O’Brien, em um comunicado emitido pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
“Bombardeios indiscriminados continuam de uma maneira chocante e implacável, matando e mutilando civis, submetendo-os a um nível de selvageria que nenhum ser humano deveria ter de suportar”, acrescentou.
O enviado especial alertou também para a crítica situação do sistema de saúde na região, “praticamente esquecido”, com instalações médicas sendo atingidas frequentemente.
Destaque No leste da cidade de Alepo, na Síria, crianças deslocadas do bairro de estadia de al-Hamadaniyah, em Al-Shafii, uma mesquita convertida em abrigo. UNICEF/Khuder Al-Issa No leste da cidade de Alepo, na Síria, crianças deslocadas do bairro de estadia de al-Hamadaniyah, em Al-Shafii, uma mesquita convertida em abrigo.

Ele disse que recebeu relatos de ataques em pelo menos três hospitais, incluindo contra um pediatra que presta serviços a milhares de crianças doentes e feridas.

“O sistema de saúde está à beira de um colapso total, com pacientes morrendo e medicamentos insuficientes para tratar até mesmo doenças mais comuns”, alertou.

“Com a escassez de comida e de água potável, o número de pessoas em necessidade urgente de evacuação médica está prestes a aumentar drasticamente nos próximos dias”, continuou.

O’Brien exigiu mais uma vez que as partes envolvidas e os apoiantes cessem imediatamente todas as ações que possam resultar em perda de vidas de civis ou danos à infraestrutura civil essencial.

Ele também pediu aos envolvidos que estabeleçam um sistema de evacuação médica para o leste de Alepo, de modo que as centenas pessoas em de casos críticos possam receber assistência médica adequada.

Alepo conta com poucos profissionais de saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, atualmente, há menos de 30 médicos trabalhando no leste de Alepo.

“Oito hospitais estavam funcionando parcialmente em Alepo, mas há poucos dias os dois maiores hospitais foram deliberadamente atingidos e agora não estão mais funcionando, reduzindo drasticamente a capacidade dos profissionais de saúde de prestar cuidados médicos e de salvar vidas de muitos civis inocentes”, disse o diretor do Departamento de Gerenciamento de Risco e Resposta Humanitária da OMS, Rick Brennan, a jornalistas em Genebra.

“Recentemente, houve uma redução do número de trabalhadores de saúde capazes de permanecer em seus postos, e os que ainda permanecem estão esgotados e abalados fisicamente e emocionalmente”, frisou Brennan.

Em Alepo, na Síria, Esraa, 4 anos, e seu irmão, Waleed, 3 anos, sentam-se perto de abrigo para deslocados internos do país. Foto: UNICEF

Em Alepo, na Síria, Esraa, 4 anos, e seu irmão, Waleed, 3 anos, sentam-se perto de abrigo para deslocados internos do país. Foto: UNICEF

“Por permaneçam em seus postos, mesmo nessas condições, eles merecem admiração e respeito infinitos”, acrescentou.

Devido aos cortes das linhas de abastecimento e as cerca de 270 mil pessoas sitiadas no leste da cidade, é difícil obter suprimentos médicos, equipamentos e combustível para as unidades de saúde restantes, e os pacientes não são capazes de sair.

Brennan afirmou que, em 23 anos de trabalho humanitário em quatro continentes, nunca viu condições tão graves como as que estão ocorrendo atualmente no leste de Alepo.

De acordo com a agência da ONU, dos mais de 100 hospitais públicos em todo o país, apenas 45% estão funcionando totalmente; 35 % são parcialmente funcionais, e 25% não estão em operação.

 

“Crianças e outros civis estão sendo tratados no chão, em corredores”, disse Brennan. “Não há leitos suficientes para terapia intensiva. De acordo com médicos, quatro crianças morreram nos últimos dias porque a unidade de terapia intensiva em um dos hospitais estava cheia”, acrescentou.

A OMS quer que as forças do governo e dos grupos armados permitam não só a saída dos feridos e doentes, mas também a entrada de remédios, equipamentos e pessoal médico na região. Segundo a agência, há mais de 800 pessoas feridas em Alepo, incluindo muitas crianças com ferimentos fatais, que precisam de acesso a cuidados de saúde essenciais.

‘Não há palavras para descrever o sofrimento das crianças em Alepo’, diz UNICEF

Crianças em Alepo estão “presas em um verdadeiro pesadelo vivo”, advertiu o vice-diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Justin Forsyth, ressaltando novamente a situação crítica da cidade devastada pela guerra, especialmente para as crianças.

“Não há palavras para descrever o sofrimento que eles estão passando”, destacou Forsyth, em um comunicado à imprensa emitido pela agência da ONU.

Segundo o UNICEF, pelo menos 96 crianças foram mortas e 223 ficaram feridas no leste de Alepo desde a última sexta-feira (23).

Criança no campo Tesreen, em Alepo. Foto: OCHA / Josephine Guerrero

Criança no campo Tesreen, em Alepo. Foto: OCHA / Josephine Guerrero

A agência da ONU disse ainda que o sistema de saúde na região está “desmoronando”, com apenas 30 médicos, quase nenhum equipamento e medicamentos de emergências insuficientes para tratar os feridos, e um número cada vez maior de casos de trauma.

O UNICEF acrescentou ainda que, devido à capacidade limitada e aos poucos suprimentos, os médicos que atendem na cidade muitas vezes são levados a deixar as crianças com baixas chances de sobrevivência morrerem.

“Nada pode justificar tais agressões a crianças e tal desprezo total pela vida humana. O sofrimento – e o choque entre as crianças – é definitivamente o pior que já vi”, ressaltou Forsyth.

No início da semana passada, falando em uma sessão de emergência do Conselho de Segurança, o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, pediu fortemente a ajuda do Conselho – especialmente a da Rússia e dos Estados Unidos – para empreender esforços a fim de resgatar a cessação das hostilidades, acabar com o derramamento de sangue e permitir a ajuda humanitária urgente para a cidade, onde, em geral, cerca de 2 milhões de pessoas permanecem sitiadas.

Além disso, durante o debate anual de alto nível da Assembleia Geral da ONU, muitos líderes mundiais chamaram a atenção para a crise humanitária na Síria e pediram que todas as partes em conflito prossigam com urgência em relação a uma solução política para o conflito.

Com informações Agência ONU


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