Presidente filipino declara vontade de matar milhões de usuários de drogas; ONU diz ser ‘inaceitável’

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Mais de 850 pessoas foram mortas desde 10 de maio, quando Rodrigo Duterte foi eleito presidente das Filipinas.
O conselheiro especial das Nações Unidas para a prevenção do genocídio, Adama Dieng, disse nesta sexta-feira (30) estar alarmado com os comentários públicos feitos pelo presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, que declarou vontade de matar milhões de usuários de drogas no país, comparando-se a Hitler.
Dieng qualificou os comentários de “um desrespeito profundo ao direito à vida de todos os seres humanos”, segundo comunicado publicado por seu escritório. O conselheiro das Nações Unidas lembrou que o Holocausto foi “um dos períodos mais obscuros da história da humanidade e que qualquer glorificação desses atos cruéis e criminosos é inaceitável e ofensiva”, disse o comunicado.
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Em coletiva de imprensa, o presidente filipino disse que “Hitler massacrou 3 milhões de judeus”, que há 3 milhões de viciados em drogas nas Filipinas e que “ficaria feliz em matá-los”. Pelo menos 6 milhões de judeus, assim como pessoas de outras minorias como negros e ciganos, morreram durante o Holocausto na Segunda Guerra Mundial.

De acordo com o conselheiro da ONU, os comentários minam os esforços da comunidade internacional de desenvolver estratégias para evitar a recorrência de tais crimes. O conselheiro pediu que Duterte evite usar uma linguagem que possa “exacerbar a discriminação, a hostilidade e a violência, assim como encorajar o cometimento de crimes que, caso se tornem disseminados e sistemáticos, podem representar crimes contra a humanidade”.

Dieng pediu ainda que o presidente filipino apoie a investigação dos assassinatos no país no contexto de uma campanha de combate ao crime e às drogas que tem como alvo traficantes e usuários, com o objetivo de determinar a circunstância de cada morte, segundo o comunicado.

No mês passado, dois especialistas em direitos humanos indicados pela ONU já haviam expressado preocupação com as medidas adotadas pelo país para combater traficantes e usuários de drogas. Mais de 850 pessoas foram mortas desde 10 de maio, quando Duterte foi eleito presidente das Filipinas com base em uma plataforma de candidatura baseada no combate ao crime.

Com informações Agência ONU


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