Obama critica ‘nacionalismo agressivo’ e ‘populismo grosseiro’ em discurso na ONU

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Em seu último discurso como presidente dos Estados Unidos na Assembleia Geral da ONU, Barack Obama fez nesta terça-feira (20) um apelo à integração global frente ao “fundamentalismo religioso, nacionalismo agressivo e populismo grosseiro”, afirmando ser necessário “corrigir rumos”.
“Neste momento, estamos diante de uma escolha. Podemos escolher ir adiante com um modelo melhor de cooperação e integração.
Ou podemos voltar a um mundo profundamente dividido, e em última análise em conflito, junto com divisões antigas de nação, tribo, raça e religião”, disse, declarando que o espírito por trás da fundação da ONU mostra o que é melhor para a humanidade.
“Por mais imperfeitos que sejam, os princípios dos mercados abertos e da governança transparente, da democracia, dos direitos humanos e das leis internacionais permanecem como a base mais sólida para o progresso humano neste século”, disse Obama a líderes mundiais no primeiro dia de debates na Assembleia Geral.
Destaque Presidente dos EUA, Barack Obama, fala na abertura do debate da Assembleia Geral da ONU, em NY. ONU Presidente dos EUA, Barack Obama, fala na abertura do debate da Assembleia Geral da ONU, em NY.

“A integração de nossas economias globais tornou a vida melhor para bilhões de homens, mulheres e crianças. Nos últimos 25 anos, o número de pessoas vivendo em extrema pobreza foi reduzido de quase 40% para menos de 10%. Isso não tem precedentes. E não é uma abstração. Significa que crianças têm o suficiente para comer; que mães não morrem no parto.”

Segundo Obama, para seguir adiante, é necessária uma “correção de rumo”. “Um mundo no qual 1% da humanidade controla riqueza equivalente a outros 99% nunca será estável”, disse o presidente norte-americano, pedindo uma economia global que “trabalhe para todos”.

“Assim como nós nos beneficiamos do combate às desigualdades nos nossos países, acredito que as economias avançadas ainda precisam fazer mais para diminuir a diferença entre países ricos e pobres. Isso é politicamente difícil. É difícil gastar em ajuda externa. Mas não acredito que isso seja caridade”, afirmou.

“Com uma pequena fração do que gastamos na guerra no Iraque, poderíamos apoiar instituições para que Estados frágeis não entrassem em colapso; e investir em economias emergentes que se tornassem mercados para nossos produtos. Não é apenas a coisa certa a ser feita — é a mais inteligente”, declarou.

Obama pediu ainda a rejeição a todas as formas de fundamentalismo, racismo e crença em uma suposta superioridade étnica que tornam identidades tradicionais inconciliáveis com a modernidade.

O presidente norte-americano também abordou a necessidade urgente de se combater as mudanças climáticas com a construção do Acordo de Paris firmado em dezembro, e o dever dos países mais ricos de ajudar os mais pobres a substituir fontes destrutivas de energia.

Ele também citou as atuais crises que afetam o mundo, entre elas a “tentativa da Rússia de recuperar a glória perdida por meio da força” ao interferir nos assuntos de seus vizinhos.

Na Síria, Obama disse que não há uma vitória militar a ser conquistada, e que o duro trabalho da diplomacia precisa acabar com a violência e entregar ajuda aos necessitados.

“E, certamente, israelenses e palestinos estariam melhor se os palestinos rejeitarem as provocações e reconhecerem a legitimidade de Israel, enquanto Israel deve reconhecer que não pode ocupar permanentemente os territórios palestinos”, endossou.

Obama enfatizou também a necessidade da cooperação global que inspirou a criação da própria ONU, mesmo que isso signifique reduzir o poder dos países mais fortes. “As escolhas de seres humanos criaram as Nações Unidas, para que uma guerra (como a Segunda Guerra Mundial) não acontecesse de novo. Cada um de nós, como líderes, cada nação, pode escolher rejeitar aqueles que apelam aos nossos piores impulsos e abraçar aqueles que apelam ao nosso melhor. Para mostrarmos que podemos escolher uma história melhor”, concluiu Obama.

Com informações Agência ONU


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