Chefe da ONU pede apoio global para ‘maior expansão de oportunidades de educação da História’

  • Por:  
  • Publicado em Mundo
Publicidade
Sebastian, 8, participa de um programa especial para estudantes com problemas de disciplina e em casa, localizado em La Ceja, Antioquia, Colômbia.
Por muito tempo, a educação de qualidade esteve disponível apenas para poucos. Hoje, como as pessoas se tornaram mais interdependentes, educação de qualidade e formação contínua devem ser acessíveis para todos.
Foi o que afirmou neste domingo (18) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que também declarou que educação é “um direito humano e um bem universal” durante o lançamento de um relatório apoiado pelas Nações Unidas que desenvolve um plano para a maior expansão de oportunidades educacionais da história.
“O relatório lançado hoje [18] é um quadro de referência para criar a ‘Geração do Aprendizado’. Ele aponta a educação como o mais importante investimento que podemos fazer no futuro e como um condutor fundamental para o desenvolvimento pessoal, nacional e global”, disse o secretário-geral na sede da ONU em Nova York, onde recebeu o relatório da Comissão Internacional sobre Financiamento de Iniciativas para a Educação Global, conhecida como a Comissão sobre Educação.
Destaque Chefe da ONU pede apoio global para ‘maior expansão de oportunidades de educação da História’ Banco Mundial/Charlotte Kesl

Anunciada em julho de 2015 na Cúpula sobre Educação e Desenvolvimento, em Oslo, a Comissão é a maior iniciativa global envolvendo líderes mundiais, políticos e pesquisadores para desenvolver uma proposta de investimento que seja moderna e atraente e financiar um caminho que possibilite oportunidades educacionais igualitárias a jovens e crianças.

O relatório foi apresentado apenas algumas horas antes da abertura do segmento de alto nível da Assembleia Geral da ONU pelos organizadores da Comissão: a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg; o presidente do Malauí, Arthur Peter Mutharika; o presidente da Indonésia, Joko Widodo (representado pelo ministro da Educação, Muhajir Effendy); a presidente do Chile, Michelle Bachelet (representada pelo embaixador Milenko Skoknic); e a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, junto ao enviado especial da ONU para Educação, Gordon Brown.

Em tempo de crises globais, crise na educação pode ser resolvida

O relatório “A geração do aprendizado: investindo em educação para um mundo em transformação”, assim como Ban Ki-moon, afirma que com mais de 250 milhões de crianças fora das salas de aula e outras 330 milhões não alcançando os resultados de aprendizado adequados, o mundo não conseguirá alcançar a promessa da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.

Com essas alarmantes estatísticas em mente, o relatório apresenta um plano de quatro etapas que tem como um dos objetivos o desenvolvimento de reformas e de investimentos que irão preparar todas as crianças para iniciar seus estudos até 2030.

O projeto também prevê o aumento de 400 milhões para 850 milhões no número de graduados no ensino médio em países de baixa e média renda até 2030 – e durante a próxima década, um crescimento para mais de 1,2 bilhão.

A primeira etapa consiste na adoção por todos os países das reformas de um dos mais rápidos aprimoradores da educação – 25% dos atores educacionais em todo o mundo. Em vez de apenas uma em 10 escolas estarem online, todas as escolas teriam uma presença digital.

A segunda etapa é levar cada país a enxergar a educação como um investimento para o futuro e a aumentar os gastos de 3% do rendimento nacional em educação para 5% em países de baixa renda; a terceira etapa do plano consiste na mobilização de recursos conjuntos de instituições internacionais. A nenhum país dedicado a reformas e investimentos deve ser negada a chance de fornecer educação universal por falta de fundos.

A quarta etapa apela para a criação de um pacto de financiamento entre países em desenvolvimento, doadores e instituições multilaterais, com o qual a ajuda total crescerá para 35 dólares por ano para cada criança até 2030.

Em seu discurso, o secretário-geral disse que o relatório defende o investimento em educação como um pré-requisito para o crescimento econômico, o desenvolvimento sustentável e a estabilidade global.

Descrevendo o relatório como uma “importante obra de pesquisa e análise”, Ban Ki-moon ressaltou: “A comunidade internacional deve estar pronta para apoiar os países que se comprometem a fazer as reformas e os investimentos necessários para transformar o sistema educacional”.

Ban observou que, embora a crise da educação seja uma das que eminentemente pode ser resolvida, se as atuais tendências continuarem, “nós não iremos alcançar a educação primária universal até 2042, e a superior secundária até 2084. Nós teremos falhado o Objetivo 4 por meio século”.

Além disso, lembrou o secretário-geral, a educação é essencial para prevenir a expansão de ideologias perigosas e o extremismo violento. “Os extremistas e terroristas sabem disso. É por isso que eles têm sistematicamente atacado escolas: no Quênia, no Paquistão, na Nigéria. Eles têm medo de crianças, particularmente meninas, com livros.”

Investimento em educação de alta qualidade que promove o pensamento crítico e valores universais é um elemento-chave do Plano de Ação para Prevenir Extremismo Violento.

“Educação é um direito humano e um bem universal. Como o distinto membro da Comissão Kailash Satyarthi disse às Nações Unidas: ‘liberdade e aprendizado são direitos de todos os seres humanos’”, lembrou o chefe da ONU, ressaltando que na pesquisa global da organização que levou à criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mais de 5 milhões de pessoas afirmaram ser a educação sua maior prioridade.

Destacando que, à medida que as fronteiras se tornam menos importantes e nós nos tornamos mais interdependentes, a educação de qualidade e a formação contínua devem ser acessíveis a todos.

“Nosso mundo não é próspero, se for pobre demais para educar suas crianças. Vamos todos – Estados-membros, sociedade civil, instituições e parceiros – participar deste grande desafio e seguir com estas recomendações para criarmos a ‘geração do aprendizado’. Vamos nos responsabilizar pelo compromisso de não deixar ninguém para trás”, disse Ban.

Com informações Agência ONU


Adicionar comentário

Importante: O conteúdo postado neste espaço é de responsabilidade do autor.


Código de segurança
Atualizar

Entre para postar comentários