Refugiados do Sudão do Sul já chegam a 1 milhão, diz ACNUR

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O número de refugiados do Sudão do Sul que fugiu do país em busca de segurança atingiu a marca de 1 milhão, segundo confirmação anunciada na semana passada (16) pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
O contingente inclui as mais de 185 mil pessoas deslocadas pela recente onda de violência registrada na capital do país, Juba, no início de julho (8).
Com esse volume de refugiados, a nação africana se junta à Síria, Afeganistão e Somália — países cuja conjuntura interna já levou mais de 1 milhão de nacionais a buscarem abrigo em outros Estados.
O ACNUR está pedindo aos doadores para fornecer 701 milhões de dólares para as operações no Sudão do Sul. Apenas 20% do orçamento foi financiado até o momento.
Destaque Um garoto refugiado do Sudão do Sul é fotografado no Centro de Trânsito de Numanzi, onde o ACNUR oferece abrigo temporário e alimentos em Adjumani, no norte de Uganda. ACNUR / Will Swanson Um garoto refugiado do Sudão do Sul é fotografado no Centro de Trânsito de Numanzi, onde o ACNUR oferece abrigo temporário e alimentos em Adjumani, no norte de Uganda.

“A maioria dos que estão fugindo do Sudão do Sul são mulheres e crianças. Entre eles, estão sobreviventes de ataques violentos, abusos sexuais, crianças que foram separadas de seus pais ou que viajaram sozinhas, pessoas com deficiência, idosos e pessoas com necessidade de cuidados médicos urgentes”, afirmou o porta-voz do ACNUR, Leo Dobbs.

Muitos refugiados chegam exaustos depois de caminhar por dias pela mata, sem água ou comida.

O representante do organismo internacional observou que mais de três quartos dos recém-deslocados — cerca de 143 mil — foram para Uganda. Na última semana, porém, um crescente número de pessoas atravessou outra fronteira, por Gambela, região ocidental da Etiópia — que abriga 292 mil sul-sudaneses.

Outras foram em direção ao Quênia — que já abriga 90 mil refugiados do Sudão do Sul —, à República Democrática do Congo — onde 40 mil refugiados sul-sudaneses estão abrigados — e à República Centro-Africana.

Apesar dos novos caminhos trilhados pelos refugiados, Uganda permanece o lar provisório do maior número de refugiados sul-sudaneses. São cerca de 373 mil no país. Mais da metade destes chegou depois dos confrontos de julho e o fluxo não mostra sinais de que vai diminuir.

Apenas na semana retrasada, mais de 20 mil novas entradas no território ugandense foram registradas. Pessoas recém-chegadas relataram o recrudescimento de combates em toda a região da Grande Equatoria e de ataques por grupos armados que matam civis, saqueiam aldeias, abusam sexualmente de mulheres e meninas e recrutam meninos e jovens.

“Esses países, em uma atitude louvável, mantiveram suas portas abertas para os novos ingressantes”, disse Dobbs.

O porta-voz destacou que “Muitos refugiados chegam exaustos depois de caminhar por dias pela mata, sem água ou comida”. “Muitas crianças perderam seus pais, sendo que algumas delas foram forçadas a se tornar cuidadoras de seus irmãos mais novos”.

Violência e falta de verba ameaçam ajuda humanitária

A equipe do ACNUR em campo relata que os recém-chegados a países próximos ao Sudão do Sul estão acampados em escolas e igrejas, enquanto outras pessoas dormem ao relento. Refugiados enfrentam falta de alimentos e de utensílios domésticos básicos.

Estimativas indicam que 5% das crianças estejam desacompanhadas, e muitas meninas e mulheres disseram ter sofrido abusos sexuais durante a fuga. No início deste mês, refugiados que estavam próximos à cidade de Doruma, na província de Haut-Uele, sofreram ataques, tiveram seus estoques de comida roubados e um centro de saúde foi saqueado por pessoas não identificadas.

A insegurança na região central do Sudão do Sul também afetou de forma significativa a capacidade do ACNUR de ter acesso e prestar assistência a milhares de refugiados que vivem no país.

No assentamento de Lasu, localizado a 40 quilômetros ao sul de Yei, cerca de 10 mil refugiados da República Democrática do Congo, da República Centro-Africana e do Sudão não recebem suas quotas mensais de alimento desde o final de junho.

Sem receber fundos e apoio suficientes, a agência da ONU e seus parceiros enfrentam dificuldades para ajudar as pessoas que precisam de auxílio, até mesmo com dos itens mais básicos de assistência.

Com informações Agência ONU


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