OMS: câncer mata 8,8 milhões de pessoas anualmente no mundo

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Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados nesta semana indicam que a cada ano 8,8 milhões de pessoas morrem de câncer, a maioria em países de baixa e média renda. Trata-se de um aumento frente à média anual registrada em 2012, quando houve 8,2 milhões de mortes.
Segundo a OMS, o número é tão alto que é duas vezes e meia maior que o número de pessoas que morrem por complicações relacionadas a HIV/AIDS, tuberculose e malária combinadas.
Novas diretrizes divulgadas na sexta-feira (3) pela organização, na ocasião do Dia Mundial contra o Câncer (4 de fevereiro), pretendem aumentar as chances de sobrevivência para pessoas vivendo com câncer, ao garantir que os serviços de saúde tenham como foco o diagnóstico e o tratamento precoce.
Destaque Medicamentos para tratamento do câncer devem ser acessíveis à população em geral, recomendou a OMS. Foto: EBC Medicamentos para tratamento do câncer devem ser acessíveis à população em geral, recomendou a OMS.

Um dos principais problemas é que muitas vezes a doença é diagnosticada tarde. Mesmo em países com alto acesso a serviços de saúde, muitos casos de câncer são diagnosticados já em estágio avançado, quando já é difícil tratar a doença.

O câncer é atualmente responsável por uma em cada seis mortes no mundo. Mais de 14 milhões de pessoas desenvolvem câncer todos os anos, e esse número deve subir para mais de 21 milhões de pessoas em 2030. Progressos e fortalecimentos no diagnóstico precoce por meio da oferta de tratamento e diagnóstico básico para todos podem ajudar os países a atingir metas nacionais ligadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), segundo a agência da ONU.

“Diagnosticar o câncer nos estágios mais avançados, e a incapacidade de fornecer tratamento, condena muitas pessoas a sofrimento desnecessário e à morte precoce”, disse Etienne Krug, diretor do Departamento de Gerenciamento de Doenças não Transmissíveis.

“Ao tomar os passos estabelecidos nas novas diretrizes da OMS, é possível melhorar o diagnóstico precoce do câncer e garantir rápido tratamento, especialmente para câncer de mama, cervical. Isso resultará em mais pessoas sobrevivendo ao câncer. Também será mais barato tratar e curar pacientes.”

Todos os países podem agir para melhorar o diagnóstico precoce do câncer, de acordo com o novo guia publicado pela OMS. Os passos que devem ser adotados incluem melhorar o alerta público sobre diferentes sintomas da doença e encorajar as pessoas a buscar atendimento quando esses sintomas aparecerem.

Além disso, é necessário investir em equipamentos médicos, no fortalecimento dos serviços de saúde e no treinamento de profissionais da saúde para que eles possam realizar diagnósticos apurados rapidamente. Também é preciso garantir que as pessoas vivendo com câncer acessem tratamento seguro e efetivo, incluindo alívio para dor, sem que isso signifique peso pessoal ou financeiro.

Os desafios são maiores em países de baixa e média renda, com menos capacidade para fornecer acesso a serviços de diagnóstico efetivos, incluindo exames de imagem, de laboratório e patológicos — todos importantes em ajudar a detectar câncer e planejar tratamento. Os países têm atualmente diferentes capacidades de fornecer aos pacientes com câncer níveis apropriados de tratamento.

A OMS também encorajou esses países a priorizar serviços de diagnóstico e tratamento básicos, de alto impacto e de menor custo. A organização também recomendou reduzir a necessidade de as pessoas pagarem pelo tratamento do próprio bolso, o que faz com que muitos não busquem apoio desde o início.

De acordo com a OMS, a detecção precoce do câncer reduz o impacto final da doença: não apenas o custo do tratamento é muito menor nos estágios iniciais, como as pessoas podem continuar trabalhando e apoiando suas famílias caso recebam tratamento efetivo a tempo. Em 2010, o custo econômico anual do câncer nos gastos com saúde e perdas de produtividade foram estimados em 1,16 trilhão de dólares no mundo.

As estratégias para melhorar o diagnóstico precoce podem ser estabelecidas nos sistemas de saúde a baixos custos. Além disso, diagnósticos precoces efetivos podem ajudar a detectar câncer em pacientes em estágios precoces da doença, permitindo tratamento que geralmente é mais efetivo, menos complexo e menos custoso. Por exemplo, estudos em países de alta renda mostraram que o tratamento para pacientes com câncer que foram diagnosticados cedo são de duas a quatro vezes mais baratos quando comparado ao tratamento de pessoas diagnosticadas em estágios avançados da doença.

O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 3 pretende garantir vidas saudáveis e o bem-estar de todos, em todas as idades. Os países concordaram com a meta de reduzir as mortes prematuras causadas pelo câncer e outras doenças não transmissíveis em um terço até 2030. Eles também concordaram em atingir cobertura de saúde universal, acesso de qualidade a serviços essenciais e a remédios e vacinas seguras, eficazes e de qualidade.

Países de baixa e média renda

A maior parte das pessoas diagnosticadas com câncer vive em países de baixa e média renda, onde dois terços das mortes por câncer ocorrem. Menos de 30% dos países de baixa renda têm serviços de diagnóstico e tratamento acessíveis, o que atrasa o tratamento.

A situação para os exames de patologias são ainda mais desafiadoras: em 2015, aproximadamente 35% dos países de baixa renda informaram que esses serviços estavam disponíveis no setor público, comparados a mais de 95% nos países de alta renda.

Segundo a OMS, o controle abrangente do câncer se consiste em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, atendimento paliativo e apoio aos sobreviventes. Tudo isso deve fazer parte de um plano nacional de controle da doença. Os guias publicados pela OMS tem como objetivo ajudar governos a desenvolver e implementar tais planos.

O câncer, junto com diabetes, doenças cardiovasculares e doenças crônicas do pulmão, é responsável por 40 milhões (70%) das 56 milhões de mortes no mundo em 2015. Mais de 40% das pessoas que morreram devido a alguma dessas doenças tinham menos de 70 anos.

A OMS e a comunidade internacional estabeleceram a meta de reduzir tais mortes prematuras por essas doenças em 25% até 2025 e em um terço até 2030. Os países endossaram o plano e se comprometeram a disponibilizar tecnologias médicas básicas e acessíveis, medicamentos essenciais para tratamento e outras condições para melhorar a qualidade da saúde oferecida às suas populações.

Com informações Agência ONU


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