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Estudantes buscam alternativas para se concentrar nos livros

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  • Publicado em Pernambuco
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Bancadas de estudo são alugadas para quem não encontra um lugar tranquilo para se concentrar. (Foto: Anna Tiago/G1)Bancadas de estudo são alugadas para quem não encontra um lugar tranquilo para se concentrar.
(Foto: Anna Tiago/G1)

Uma mensagem no celular. A música alta do vizinho ou da televisão. Uma formiga que decide passear na parede em frente à bancada de estudos. Para muitas pessoas, desviar a atenção dos livros é bastante simples. Basta um pequeno barulho ou movimento para se perder nas linhas de história ou nos cálculos de matemática. Por isso, muitos estudantes vêm procurando alternativas para se concentrar e melhorar o desempenho na hora de estudar, o que abriu oportunidade para o surgimento de um novo tipo de negócio: o aluguel de espaços para estudo.

O advogado Raphael Freitas, por exemplo, percebeu que tinha dificuldade para encontrar um local para se preparar para concursos. “Antes, estudava em bibliotecas e não tinha o conforto e tranquilidade que queria”, diz. Ele lembrou que a família tinha um imóvel desocupado e resolveu ir para lá, quando percebeu que outros concurseiros tinham a mesma dificuldade e resolveu criar um espaço de estudos para alugar. “Na primeira semana, tinha oito baias, mas apenas três eram ocupadas. Na segunda semana, cinco ocupadas. No primeiro mês, todas estavam alugadas”, lembra.

Hoje, o ambiente de estudos conta com duas salas – com silêncio absoluto – e 46 bancadas de estudos, sendo uma de Raphael. “Fui o primeiro no Recife a montar um espaço do tipo. Quem aluga tem acesso 24 horas, todos os dias. Dou a senha da porta principal e cada um faz seu horário”, conta Raphael.

Por R$ 130 mensais, o locatário tem livre acesso à sala com ar-condicionado e wifi e uma bancada particular de estudos, onde pode deixar seus materiais e não precisa estar sempre carregando livros. Além disso, há banheiros e uma copa equipada com fogão, geladeira, micro-ondas e cafeteira.

Para manter o ambiente tranquilo, os estudantes precisam seguir algumas regras. Falar ao telefone, por exemplo, é proibido dentro das salas, e o aparelho deve permanecer no modo silencioso ou desligado. Conversas paralelas, constante entrada e saída na sala e alimentos que causem barulho ou exalem cheiro forte também são proibidos.

Verônica está se preparando para concurso e passa 12 horas na sala de aluguel. (Foto: Anna Tiago/G1)Verônica está se preparando para concurso e passa 12
horas na sala de aluguel. (Foto: Anna Tiago/G1)

Para Verônica Figueiredo, 24, o ambiente é ideal para quem, como ela, estuda doze horas, cinco dias por semana. “Venho estudar aqui desde fevereiro. É totalmente diferente de estudar em casa. O espaço é bom e a gente só estuda”, diz.

O advogado Abdineas da Costa, 26, frequenta o local há um ano, seis horas por dia, quatro vezes na semana, e também aprova. “Estudava em casa, mas não me concentrava muito. Aqui é melhor para a concentração e percebi que estou rendendo mais nos estudos”, ressalta.

O proprietário do espaço diz que não faz contratos: a locação é mensal. De acordo com ele, há uma lista de espera com mais de 100 pessoas interessadas no espaço. “Tenho uma rotatividade de cinco pessoas por mês. Isso é uma resposta positiva, já que pouca gente quer sair e muitas querem entrar”, alega Raphael. Apesar do sucesso do espaço, ele revela que não tem uma visão empresarial e não pretende expandir o negócio. “Meu foco é continuar estudando para concurso, que é meu sonho. Infelizmente, não posso ajudar a todos, não pretendo ser um empreendedor, isso atrapalharia os estudos”, pontua.

Ginástica cerebral
Para algumas pessoas, apenas um local adequado para estudar não é o suficiente. A estudante Hiolanda Nascimento, de 14 anos, por exemplo, via um motivo de distração em tudo. “Se tinha algum barulho, eu ia ver o que era e, quando voltava para estudar, já tinha me perdido”, diz. Desde o começo do ano, ela encontrou um método curioso para ajudar nos estudos: um curso de "ginástica cerebral". Desde então, a aluna do 9º ano, que pretende fazer a seleção do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), diz ter melhorado o desempenho. “Presto mais atenção, não me perco mais. Matemática ficou bem mais fácil”, ressalta.

Tayná e Hiolanda usam o ábaco para desenvolver o raciocínio e a concentração (Foto: Anna Tiago/G1)Tayná e Hiolanda usam o ábaco para desenvolver o raciocínio e a concentração. (Foto: Anna Tiago/G1)

Durante duas horas, uma vez por semana, Hiolanda frequenta o Método Supera, curso semanal desenvolvido a partir de exercícios de lógica e prática de cálculos que trabalha o cérebro com o objetivo de potencializar a capacidade cognitiva. O curso é dividido em quatro níveis (básico, intermediário, avançado e master) e trabalha com o ábaco – instrumento milenar de cálculos formado por contas que correspondem a unidades, dezenas, centenas e unidades de milhar – e jogos e apostilas de exercícios de lógica.

A cirurgiã-dentista Andrea Negreiros foi a primeira a trazer uma unidade da escola – que tem mais de 130 franquias no Brasil e Portugal – para o Recife. Há dois anos, quando procurava algum método que ajudasse no desempenho da filha de seis anos, descobriu o curso em São Paulo. “Fui conhecer os outros franqueados, fiz pesquisas de neurociência para saber se era uma coisa embasada e descobri que realmente dava resultado. Depois de conversar com alunos, neurocientistas e neuropsicólogos, resolvi trazer para o Recife”, conta. Em Pernambuco, o Supera conta com três unidades no Recife, uma em Jaboatão dos Guararapes e uma em Petrolina, no Sertão.

Ela explica que o curso trabalha para desenvolver a capacidade de foco, concentração, velocidade de raciocínio e coordenação motora. “Tem gente que tem dificuldade para estudar ou está fazendo alguma atividade e, quando tem um som do lado ou alguém falando, desconcentra. Trabalhando com o ábaco, por exemplo, o aluno começa a criar uma barreira e se concentrar no que está fazendo independentemente do que está acontecendo ao seu redor”, detalha.

Tayná Paixão, de 15 anos, está se preparando para fazer a prova do Sistema Seriado de Avaliação (SSA) da Universidade de Pernambuco (UPE) e diz que, desde que começou a frequentar as aulas, há quase um ano, tem mais ânimo para estudar. “Agora me concentro mais. O curso ajuda em matemática e também nas outras disciplinas, porque me concentro para ler, mexe muito com a questão de lógica e tem provas que isso cai bastante”, afirma.

Elisângela Oliveira, mãe de Tayná, tem visto o resultado de perto. “Há uns anos, ela não estudava sem a gente mandar. Hoje, ela presta mais atenção, estuda sem ninguém mandar e até sai e leva os livros para estudar, coisa que ela nunca fazia”, conta.


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